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RESUMO DA NOTÍCIA

A rede é uma extensão da estrutura física e lógica do seu computador

A parte física conecta por canais de comunicação, que pode ser cabos de cobre ou fibra ótica

A parte lógica provê seu computador de informações que estão em outras máquinas

Não existe um computador central responsável pela internet, mas há servidores distribuídos em seis continentes

 

Você usa o dia todo para as mais diversas funções. Na hora de ler este texto, consultar um caminho para escapar do trânsito ou ver a sua série preferida. Mas sabe como funciona a internet?

Esta foi uma das principais perguntas feitas pelo internauta brasileiro para o Google em 2018, segundo um levantamento feito pela SEMrush, empresa de marketing digital. Perguntar ao Google "o que é" ou "como funciona" são formas comuns de utilizar a ferramenta de buscas para tirar dúvidas ou consultar o significado de determinada palavra ou expressão.

Para que a questão da internet seja respondida, é preciso considerar um ponto em primeiro lugar: a palavra internet se refere a uma estrutura física, como explica Paulo Lício de Geus, professor do Instituto de Computação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). A rede de computadores internet é constituída basicamente de canais de comunicação, que podem ser sem fio ou fiados com cabos de cobre ou fibra óptica, e de elementos de comunicação.

É comum que a palavra internet seja confundida com a World Wide Web, ou WWW. Segundo de Geus, o WWW é um serviço que utiliza a internet como meio para o tráfego de dados e que é constituído por servidores e programas clientes, os navegadores. "O WWW tornou-se o protocolo mais famoso e fundamental nos dias de hoje, porque foi o que permitiu a usuários leigos usarem a internet", diz.

Grosso modo, a rede é uma extensão da estrutura física e lógica do seu computador, pois tem elementos físicos de comunicação e lógicos na forma de outros computadores que provêm informações.

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Imagem: Rahel Patrasso/Xinhua

 

Rede complexa

Agora que já sabemos a diferença entre internet e WWW, chegamos a uma parte mais complicada, que é falar sobre a estrutura da internet em si. Não, ao contrário do que você pode pensar, a rede não é uma teia de cabos espalhados pelo mundo sem qualquer critério.

"A internet é uma junção de equipamentos, como switches, roteadores e modems, que se comunicam através dos cabos", diz João Carlos Lopes Fernandes, professor do curso de Engenharia de Computação do Instituto Mauá de Tecnologia.

Cada componente desse tem uma função específica, em linhas gerais eles agem para ordenar o tráfego de dados na rede, determinar o melhor caminho para esse fluxo de informações e fazer com que os diversos cabos físicos espalhados pelo mundo se comportem como uma rede única.

Outro ponto que merece atenção é na forma como os dados trafegam pela rede: em blocos ou pacotes, que podem ter tamanho variável, mas precisam respeitar um limite.

"Isso é necessário por diversos motivos. Entre eles, sinalizar início e final de transmissão, adicionar redundância para se garantir detecção de erros de transmissão e sua possível correção, algo importante considerando que meios eletromagnéticos são muito sujeitos a interferências causadas por processos naturais e pelos sistemas de telecomunicações modernos. Também serve para garantir que se faça um uso mais eficiente dos recursos físicos disponíveis, evitando que canais de comunicação sejam monopolizados por uma ‘conversa’ só", explica Geus.

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Há servidores da raiz em mais de 30 países distribuídos por seis continentes

A internet tem um "cérebro"?

Outra dúvida comum é se há uma espécie de computador central que comanda toda a internet. Ainda que a rede por si só não dependa de uma máquina para funcionar, o mesmo não se aplica à parte que usamos da rede.

Existem diversos computadores, como os que formam as redes de onde vêm os endereços que permitem que os usuários naveguem, os que autenticam os usuários, os bancos de dados, os que armazenam as páginas de sites, entre outros."

João Carlos Lopes Fernandes, do Instituto Mauá de Tecnologia

Um desses sistemas é o Domain Name System, ou DNS. Ele serve como uma espécie de tradutor que transforma os nomes digitados pelos usuários em endereços numéricos que são usados pelos computadores.

Sendo assim, o DNS tem servidores da raiz, para os quais as perguntas feitas pelos computadores –o caminho para determinado endereço, por exemplo– são feitas inicialmente, até que se consiga obter a resposta desejada. Isso não ocorre de uma vez, mas sim após repetições de ciclos de perguntas a diversos servidores semelhantes.

Os servidores da raiz estão distribuídos por seis continentes e são gerenciados por 12 instituições, entre públicas (como a NASA, Departamento de Defesa Americano), universidades (Maryland e Southern California) e instituições privadas (como a Verisign- que possui gestão de duas destas estruturas).

"Toda vez que se pretende traduzir um nome, que as pessoas se lembram, para um número, que computadores processam facilmente, deve-se começar perguntando para um servidor da raiz", diz de Geus, que complementa dizendo que esse ciclo funciona apenas como exemplo, mas que na prática ele é "quase sempre evitado porque os computadores se lembram da resposta às perguntas que fizeram a eles [os servidores] e evitam repeti-las. Os servidores DNS locais têm a capacidade de se lembrarem de perguntas recentes e criam atalhos sempre que possível".

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É possível "quebrar" a internet?

Os servidores DNS, inclusive, já foram alvos de ataques de hackers na tentativa de derrubar a internet como conhecemos. Mas, ainda assim, dificilmente veremos um ataque à estrutura física da internet conseguir "quebrar" a rede.

"Existem os chamados roteadores de borda, importantes para a rede. São vários equipamentos deste tipo que ajudam no bom funcionamento da internet. Sendo assim, [se destruídos] conseguimos até parar uma grande região, mas a internet como um todo não", diz Fernandes.

O professor da Unicamp corrobora com essa informação, acrescentando que a própria natureza da rede, a de encontrar melhores caminhos para a informação, ajudaria a contornar possíveis falhas físicas. "Quase sempre há mais de um caminho entre uma rede e outra e os algoritmos de roteamento fazem um trabalho razoável de escolha de melhores caminhos, mesmo em presença de falhas temporárias ou permanentes", diz.

O risco maior, portanto, ainda reside em ataques no nível de software, seja nos algoritmos dos roteadores ou, ainda, atacando servidores de serviços específicos, como o DNS.

Em 2013, um ataque de grande escala a um servidor de DNS afetou o acesso à internet em lugares dos EUA, Europa e Ásia. "Felizmente, soluções tecnológicas motivadas pelo primeiro grande ataque desse tipo no passado permitem hoje isolar esses servidores únicos de eventuais ‘pedradas’ que hackers direcionam a eles", conclui de Geus.

Ou seja: não será cortando um fio que alguém conseguirá derrubar a internet em todo o mundo.

 

Fonte(S) UOL Tecnologia